6.5.14

Se eu fosse ele, eu me odiaria

    Foi difícil levantar da cama hoje... O céu nublado, quase chovendo. Um friozinho perfeito pra me deixar na cama até o meio dia, mas já estou acostumada a travar essa batalha entre a cama e a escola todos os dias.
    Levantei, me arrumei, tomei café e saí correndo pra pegar o ônibus. Sempre arrumo alguém pra conversar no caminho, principalmente minha vizinha simpática, que sempre rola por cima de mim nas curvas, reclamando que o motorista dirige muito rápido!
    Todo dia a mesma coisa. A cada ponto que passa, mais eu torço pra que você entre no ônibus. Nem sempre acontece, mas na maioria das vezes você entra... Olhares se cruzam e rapidamente são desviados para o chão. "Ele deve me odiar" penso cada vez que o vejo, e então o ritual se repete: descemos no mesmo ponto, me despeço da minha vizinha e seguimos rumo ao colégio, andando depressa com os olhos fixos no chão. O vento frio batendo no rosto fazem meus olhos lacrimejarem! Nenhuma palavra é dita. Há apenas o barulho dos carros e isso me aflige.
    "Hoje eu falo com ele!" e, do nada, você sai correndo, atravessando as três pistas movimentadas, habilmente para o outro lado da rua. E  lá se vai toda a determinação, escorrendo pelo asfalto molhado, junto com as primeiras gotas de chuva. "Prefere ser atropelado..." eu concluo.
    Ando mais rápido do que as minhas pernas podem aguentar, mas você já está longe demais pra ser alcançado. Logo mais um: "Amanhã eu falo..." ecoa na minha cabeça. A batalha está perdida. Você segue pra sua sala com seus amigos, enquanto eu vou pro outro lado à procura dos meus.
    Não quero que ninguém sinta pena de mim, nem ache que eu sofro de platonice. Pra ser sincera eu fui a "vilã da história". Acho justo ele me odiar. Se eu fosse ele, eu me odiaria. Mas calma menina! É apenas a primeira hora do seu dia...

Giovanna C. Klaumann

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