2.10.13

Silenciosas e quentinhas...

Não consegui me lembrar qual a última vez que chorei, mas lá estava eu novamente, em frente ao computador, com todas as luzes apagadas e nenhuma música tocando. O silêncio dominava a casa toda, era quebrado de vez em quando por um carro que passava na estrada. Por que as coisas são assim?
Quando você entrou no carro, vi que estava chorando. Fiquei com uma vontade imensa de chorar, te abraçar, implorar pra que não fosse, que com o tempo as coisas se ajeitariam, embora soubesse que não. Mas preferi o silêncio. Um abraço rápido, como se fossem meros conhecidos. Um nó na garganta quase corta minha voz. O pior nó na garganta que já senti na vida. Agi com frieza, como se não estivesse me importando com o que estava acontecendo, mas acontece que não gosto de chorar na presença dos outros. Odeio demonstrar minha fraqueza.
Você saiu, fechei o portão e com um sorriso falso abanei. Essa cena já tinha acontecido e daquela vez eu sabia que você ia voltar. Agora é diferente. Eu sinto que você se foi mesmo.
Hora de dormir. É agora que as lágrimas vem. Silenciosas e quentinhas. Escorrem pelo rosto e caem no travesseiro, talvez molhando um pouco o cabelo. Sem nenhum soluço ou suspiro, apenas lembranças do que acabou.
Já são meia noite e o sono não vem. Com os olhos inchados pego o celular. Acabou a bateria. Nada de mensagens de boa noite... O vazio começa a ficar cada vez maior e a angústia me faz chorar ainda mais.
Agora são sete da manhã. Foi uma noite longa e mal dormida, sem sonhos nem pesadelos, apenas pensamentos que não tinham fim. O frio não me deixava sair da cama, até minha vó arrancar minhas cobertas. Olhei da janela e vi o sol refletir os primeiros raios do dia. Os canto dos pássaros acabou me inspirando. Levantei, lavei o rosto e percebi que meus olhos ainda estavam inchados. Fiquei com vontade de chorar mais ainda, mas tinha que ir direto pra escola. Quem sabe algo bom acontece?
Como já era de se imaginar, meus amigos me fizeram rir, me sentir bem de verdade e, por um instante, esqueci do que tinha acontecido na noite anterior. A manhã correu como uma flecha e por fim o sinal bateu. O que pareceu ser um alívio pra maioria, me fez perceber que a solidão voltava a ser minha única companhia. O único jeito pra escapar dos pensamentos é uma overdose de leitura.
Mas vai ficar tudo bem. Tem que ficar, eu espero...

Giovanna C. Klaumann

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